Meu amigo Thiago Completo, que já morou aqui em Nanjing, havia me dito que seria fácil encontrar alunos para ter aula de inglês.
Antes de sair do Brasil eu falava pros meus pais que durante os primeiros meses aqui eu queria só estudar, pra sentir o meu ritmo de estudos. Depois disso ia começar a procurar aula pra dar, pra não gastar todo o dinheiro que eu havia juntado no Brasil.
Tendo alguma experiência tanto de viagem quanto como expatriada, deveria ter previsto que planejar arranjar trabalho no exterior é uma perda de tempo. Não por eu eventualmente perder a vontade de trabalhar, mas porque as coisas fora do Brasil acontecem num ritmo e de uma forma totalmente diferente.
No dia da matrícula eu conheci Brittany, uma alemã de Berlim, que me acompanhou até o banco, pois também não tinha sacado o dinheiro. Durante a hora que passamos conversando, ela me perguntou o que eu fazia no Brasil, e eu disse que sou professora de inglês. Logo me perguntou se eu gostaria de dar aulas aqui, e que ela mesma dava aula, e que conhecia uma pessoa que talvez precisasse de mim.
Um amigo da mesma alemã, no lobby do XiYuan (O "hotel" onde moro), logo depois de se apresentar pra mim como David, canadense, me perguntou se eu não poderia substituí-lo no dia 14/02, Dia de São Valentim (ou dia dos namorados, na maior parte do mundo). Eu disse que sim, sem problema. Ele agradeceu enormemente, passou o telefone de Summer, seu "chefe", e marcamos de nos encontrar no dia seguinte. Aconteceu que logo quando eu saí da estação de metrô, a bateria do meu celular acabou, e David não havia me passado o endereço (embora eu tivesse pedido, ele disse que era mais fácil explicar como chegar). Sem bateria, incomunicável, não pude substituí-lo, os alunos ficaram sem aula, e eu pensei comigo "Foi-se uma boa oportunidade de contato pra dar aulas de inglês pra adultos. Esse tal de Summer nunca mais vai me procurar".
Chegando em casa, liguei primeiramente pra Summer, pra me desculpar, e, ouvindo meu motivo, disse que não tinha problema, e me ofereceu uma turma de quarta e sexta. Aceitei na hora.
Na terça a noite, logo depois de desligar com Summer, me liga "Desperate Amy" (ou Amy Desesperada, com eu a costumo chamar). Ela havia pedido a Brit meu telefone, pois precisava de uma professora de inglês para assumir uma turma de crianças na escola de inglês da Nanjing Normal University (que não é a minha, mas é aqui perto). Perguntei a idade das crianças e o nível que elas estão. Amy pediu para encontra-la na quarta de manhã, pra conversar sobre a turma, mas eu tenho aulas de manhã. Ela propôs, então, que eu a encontrasse as 14:30. E a turma começou as 15:30.
Neste ponto vocês devem ter percebido por que eu apelidei Amy dessa forma. Sempre que me liga está desesperadamente à procura de professores. Ela me ofereceu mais turmas de crianças, mas eu tive que recusar. Dar aulas pra criança de 9 e 10 anos não é exatamente a minha praia, e eu sei que, aceitando mais turmas, ficaria estressada, ao longo do semestre. Uma turma está de bom tamanho, pois é importante pra mim ter acesso ao comportamento das crianças chinesas, já que elas refletem de forma muito natural a cultura em que estão inseridas.
Devo acrescentar aqui um fato curioso: Diversas vezes Amy me ligou perguntando se eu queria dar aula pra algumas turmas aos sábados e - pasmem- aos domingos. Eu disse que não, e inventei que tenho grupo de estudos aos sábados, e que aos domingos preciso descansar- porque Amy pode ser extremamente insistente. Pensei comigo "que tipo de criança tem aulas de inglês aos domingos??"
Crianças chinesas, como pude apurar posteriormente.
Yuval, um israelense que fez algumas aulas comigo e já mora aqui há um semestre, também trabalha pra Amy. Ele achou o apelido Desperate Amy bem adequado, e foi ele quem me disse que os pais de todas as crianças são desesperados para que elas aprendam inglês. Como durante a semana estão ocupadas com a escola (que eu imagino que seja período integral, mas ainda não tenho certeza), restam-lhe os finais de semana para estudar inglês.
Finalmente, liguei para Summer para dizer que não estaria mais disponível às quartas a tarde, e ele passou, então, as aulas de quarta pra terça.
Assim, embora tivesse previsto passar os primeiros quatro meses só estudando, na minha primeira semana de aula já comecei a dar aulas de inglês. O preço da hora aula é o mesmo que pagam em escolas no Brasil, mas a diferença é que aqui, 100 yuan/hora é muito dinheiro. Com minhas 6 horas semanais dando aulas de inglês consigo pagar o aluguel do meu quarto (que é, diga-se de passagem, mais caro que qualquer apartamento que eu alugue aqui perto).
Bastante informativo o texto! Eu estou cogitando me mudar pra China. Aqui no Brasil eu sou professor de inglês há 7 anos... por acaso você ainda teria o contato da Desperate Amy? Ou outra pessoa que me recrutaria lá... Obrigado ;-)
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