13/02/2012
Localizacao: Sala 104
Depois de ter feito minha matricula sem problema nenhum, resolvo assistir a aula do nivel 3. Havia conversado com algumas pessoas, que me disseram que o nivel 1 era bem basico. Esse nivel era pra quem nunca havia estudado mesmo- da a ideia geral de como funciona a lingua, de que e uma lingua que nao tem alfabeto, fala da ordem dos tracos que formam os ideogramas, dos possiveis fonemas da lingua e da nocao de tons.
Como alguns sabem, o mandarim e uma lingua tonal, o que significa que uma palavra pode ter 4 tons diferentes (cinco, se contar o tom neutro, menos comum). Assim - permitam-me sair do exemplo classico de mae e cavalo-, a palavra "ai",??, no primeiro tom pode significar pena/lamento, ai òI,no segundo tom, pode significar estupido, idiota; o mesmo ai Ì@, no terceiro, pode significar amigavel e,no quarto tom, o famosissimo e muito comumente tatuado ai ,?®??¨¦ o ideograma de "amor". Notem que escrevi pode significar. Isso porque uma palavra com o mesmo tom pode ter variados ideogramas, e, portanto, significados diferentes.
Assim, resolvi que o primeiro nivel seria chato pra mim, porque- afinal de contas- no primeiro e segundo ano de faculdade eu efetivamente ia as aulas e acreditava no trabalho das professoras Chia e Wu Liu (a coisa mudou de figura com o tempo). Ja tinha me desesperado pra absorver a idea de uma lingua que nao tem alfabeto, cujas palavras com exatamente o mesmo som e tom podem ter ate dezenas de ideogramas diferentes (e, claro,isso vai mudar o sentido da palavra).
Resolvi, entao, assistir a aula do terceiro nivel. A primeira semana de aulas aqui seria um teste, para que os alunos pudessem se encontrar em seu nivel adequado. Assim, numa atitude talvez pretensiosa, pulei o nivel dois, pensando que se nao conseguisse acompanhar as aulas do nivel 3, bastava baixar um nivel.
As dez da manha entrei na sala para assistir a segunda aula (a aula das 8 as 10 eu havia perdido porque tive que ir ao banco, fazer matricula, etc). Entra uma professora jovem, entre 20 e 30 anos (dificil dizer a idade dos chineses). Minha primeira impressao foi que ela estava bebada. Chegou andando meio engracado, meio pilhada, meio perdida. Talvez seja simplesmente seu jeito de ser. Nao acho que ela estaria, efetivamente, bebada, as 10 da manha de uma segunda feira. Depois comprovei que e seu jeito de ser (ou ela bebe todo dia, pois todo dia chega na sala dessa forma).
Imagine entrar por engano numa aula de sapateado e ser obrigada a dancar junto com o grupo avancado. Sabe aquela cena patetica de tentar acompanhar os passos rapidos e rodopios profissionais dos dancarinos, sem que voce nem saiba fazer os sapatos fazerem barulho. Foi assim que me senti.
Senti-me como se tivessem me jogado em Marte. Mas talvez a lingua falada la seja mais compreensiva que o mandarim. Minha professora metralhou monossilabas em diferentes tons durante duas horas, e eu me agarrei ao meu Ipod, gravando tudo o que ela falava pra ter a esperanca de, um dia, compreender alguma palavra. Sem brincadeira, eu nao entendi nhecas de pitibiriba.
O resto da turma parecia estar no mesmo barco que eu. So um ou dois, de um grupo de 15, abriu a boca durante as duas horas de aula.
Sai rindo, pensando que eu realmente devia ter estudado ALGUMA COISA antes de vir pra ca.
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