Localização: Sancho Panza e Big Scarlet's
Recusei vários convites para sair à noite. Como virei uma pessoa focada nos estudos, deixei passar a comemoração do Valentine's Day num Happy Hour no Ellen's (o point de quinta-feira aqui, pois -pasmem- durante o Happy Hour a cerveja é de graça), recusei sair no primeiro final de semana e na segunda sexta, mas, por fim, no meu segundo sábado aqui, cedi.
Minhas novas amigas francesas trabalham numa balada, chamada Scarlet's. Scartlet's fica no Distrito 1921, tipo a Vila Olímpia daqui. Eu ainda não achei a melhor casa de samba da cidade, então o jeito foi ir com amigos a essa baladinha.
Primeiro, fomos ao Sancho Panza. Um bar com música ao vivo, majoritariamente (pop)rock. Então comecei a noite ao som de uma banda chinesa que toca cover de rock em inglês (e fiquei impressionada, pois o vocalista não tem sotaque nenhum quando canta, e a banda é realmente muito boa). O ambiente do bar é parecido com o de um pub. Embora não seja muito grande, tem 3 andares, uma mesa de sinuca, uma de pebolim e um palquinho. Os chineses não dançam, então não tem pista de dança. A noite de um jovem chinês consiste em ficar jogando dados. Não faço ideia de como se joga, mas é bastante popular aqui. Os jovens sentam ao redor de uma mesa e jogam isso por algum tempo enquanto bebem cerveja ou algum drinque.Depois da meia noite fomos de taxi até o Scarlet's.
O lugar é super bem decorado. Tem um louge com música ao vivo- uma cantora e um tecladista cubanos, que alternavam com uma cantora americana (acho), cujo instrumento, além da voz, era um laptop, de onde saía a melodia das músicas que cantava.
As francesas trabalham nesse lounge. Basicamente, elas são pagas para mostrar aos clientes que o bar é frequentado por belas mulheres caucasianas. Elas ficam das 9 à meia noite bebendo e conversando entre si, e eventualmente conversam com algum chinês rico que lhes paga um drink pra mostrar que tem conhecidas estrangeiras.
Depois de dançar um pouco de salsa no lounge com Pedro, meu amigo português (supermega fofo!), subimos pro segundo ambiente. Fiquei impressionada com o que vi.
Foi tanta coisa diferente, que eu precisei de um bom tempo pra organizar a forma como escreveria isso aqui para que vocês pudessem ter uma ideia:
É de se imaginar que em uma balada com DJ há uma pista de dança, um espaço, nem sempre amplo, onde os frequentadores podem mexer o esqueleto ao som de música techno. Bom... esqueleto de chinês deve ser colado com durepox. Já mencionei acima que chinês não dança (com exceção de uns mais rebeldes ou bêbados, então, óbvio, não há, propriamente, uma pista de danças.
O Scarlet's é muitíssimo popular em Nanjing e muito frequentado por estrangeiros. Nós, sim, dançamos - quando dá. Não tendo pista de dança, o que nos resta é um palquinho em forma de T, localizado no meio do salão. Então, basicamente, os chineses não se expõe dançando, mas ficam, a balada toda, olhando os Waiguoren (gringos) dançarem.
Vocês podem estar se perguntando se é só isso que os chineses fazem numa balada. Claro que não! Eles comem pepino, cenoura e frutas que são lindamente servidas às mesas ao redor das quais eles passam a noite inteira. Também bebem um drink servido em garrafa de suco - que eu imagino que seja conhaque com qualquer coisa-, pagam bebidas aos estrangeiros, simplesmente porque é legal conhecer um estrangeiro, e, claro- assistem avidamente à performance.
Ulrich, meu amigo alemão, tinha me falado sobre uma tal performance no Scarlet's. Ele tentou me explicar, mas eu não consegui entender, realmente, o que ele quis dizer com aquilo.
Estávamos eu e meus amigos dançando no tal palquinho, quando de repente 3 chineses fardados fazem gestos pra sairmos de lá. Logo pensei "que que a gente fez de errado?". Meu questionamento não durou muito tempo, pois, dali a um minuto, subiu ao palco uma chinesa vestida de diva com plumas e paetês (ou só paetês, na verdade), pernocas de fora (lembrando que eu estava com 2 calças legging, pois, ao final de contas, fazi -1 lá fora), uma postura de pop star e... começa a interpretar Beyoncée (playbackão). A chinesada vai à loucura! Depois de apresentar uma música, juntam-se a ela no palco duas outras chinesas, vestidas iguais entre si - mas diferente da Diva-, com óculos escuros e roupa de mulher descolada, e fazem toda a coreografia da segunda música- "All the single ladies", eu estava empolgadíssima com aquilo! Mas a coisa ficou ainda melhor. Na terceira música, sobem ao palco dois chineses vestidos de seilaoquê- igualmente descolados, claro-, pra dançar com as duas moçoilas. Minhas irmãs ficariam com inveja de sua destreza na coreografia.
Depois dessa mistura sino-americana na interpretação, os dançarinos desceram do palco e ficou apenas a Diva cantando o que aparentemente é uma música muito famosa aqui, pra agradar exclusivamente os chineses, claro.
A tentativa de explicação de Ulrich foi, claramente, em vão. Nunca, nada que ele tivesse tentado colocar em palavras, poderia explicar o que eu vi aquela noite- e vocês, para terem uma ideia precisa do que é, realmente... bom, só vindo até aqui.
Detalhe: Uma balada desse estilo seria, normalmente, bastante cara no Brasil. Aqui é de graça, e você, sendo gringo, ainda corre o risco de não pagar bebida a noite inteira (Não se preocupa, mãe, eu não bebi do copo de ninguém).
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