sexta-feira, 2 de março de 2012

Buscando equilíbrio

2/03/12
Então eu vim pra China estudar. Ok, lindo, brilhante.
Por mais que eu tenha interesse em aprender mandarim (e tenho mesmo, do contrário estaria curtindo uma praia em Santos), não vim pra cá SÓ pra estudar.
Durante o segundo semestre do ano passado fiz um trabalho com um coach. Coach, (do inglês, treinador), quando referente ao desenvolvimento pessoal, é um profissional que auxilia na busca e definição de metas, e te orienta a alcançá-las (Roberto, se você ler isso e quiser dar uma definição melhor, fique à vontade)
Eu frequentei durante os últimos anos um instituto que -sem brincadeira- mudou minha vida: O MeCura (www.mecura.org.br) . Depois de algum tempo frequentando o instituto, descobri que havia um coach, voluntário lá. Me interessei, e depois de algum tempo comecei a ter sessões semanais com Roberto Costard (www.robertocostard.com.br). Com ele aprendi a dar prioridade às coisas e a manter o foco. Com o auxílio dele eu pude alcançar coisas eu diria, "meio" importantes, como definir quando eu viria pra China, fazer o que, como, morar onde, comer o que, como faria pra manter minha rotina de esportes aqui, etc (entre muuuitas outras coisas).
 Depois do Roberto, li o livro "Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes" (super recomendo a qualquer um e a todos), e percebi a necessidade, não apenas de manter o foco, mas de manter um equilibrio na vida. Ou seja, não só trabalhar (como é o caso da maioria), não só estudar (como eu poderia transformar em meu caso aqui), mas perceber os diferentes papeis que a minha pessoa cumpre no mundo, e cumprir com minhas obrigações, bem como satisfazer a necessidade de cada um desse papel.
Assim, defini meus papéis aqui, basicamente, como:
1- Estudante, que deve cumprir a tarefa de ir às aulas e estudar diariamente, inclusive sábados e domingos.
2- Professora de inglês- preparar e dar as aulas nas escolas
3- Aprendiz- comecei a dar aulas de português para três francesas, e tenho aula de francês em troca. O que eu aprendo não é apenas o francês, mas também a desenvolver minha habilidade e obter experiência como professora de português para estrangeiros
4- Athlete wanna be (querendo (voltar a) ser atleta)- academia no mínimo 5 vezes por semana, com treinos específicos, aeróbicos e de musculação.
5- Boa filha e amiga- Manter contato constante com família e amigos no Brasil (e na Irlanda, e na França, etc), além de estreitar laços com amigos feitos aqui (através de almoços, bares, grupos de estudo, etc)
6- Não sei bem como nomear esse papel. Basicamente, continuar trabalhando meu autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, através da Deeksha, da meditação e de leituras.


Notem que os papéis não estão em ordem de prioridade.

Assim, mesmo sabendo que não vou estudar 15 horas diárias de mandarim, mas 8, acho que sobreviverei por aqui. Fazendo amigos, cuidando da minha saúde e tendo prazer aprendendo francês e ensinando português e inglês. Mas o mandarim continua sendo minha prioridade

Uma (ou a primeira) balada em Nanjing

18/02/2012
Localização: Sancho Panza e Big Scarlet's

Recusei vários convites para sair à noite. Como virei uma pessoa focada nos estudos, deixei passar a comemoração do Valentine's Day  num Happy Hour no Ellen's (o point de quinta-feira aqui, pois -pasmem- durante o Happy Hour a cerveja é de graça), recusei sair no primeiro final de semana e na segunda sexta, mas, por fim, no meu segundo sábado aqui, cedi.
Minhas novas amigas francesas trabalham numa balada, chamada Scarlet's. Scartlet's fica no Distrito 1921, tipo a Vila Olímpia daqui. Eu ainda não achei a melhor casa de samba da cidade, então o jeito foi ir com amigos a essa baladinha.
Primeiro, fomos ao Sancho Panza. Um bar com música ao vivo, majoritariamente (pop)rock. Então comecei a noite ao som de uma banda chinesa que toca cover de rock em inglês (e fiquei impressionada, pois o vocalista não tem sotaque nenhum quando canta, e a banda é realmente muito boa). O ambiente do bar é parecido com o de um pub. Embora não seja muito grande, tem 3 andares, uma mesa de sinuca, uma de pebolim e um palquinho. Os chineses não dançam, então não tem pista de dança. A noite de um jovem chinês consiste em ficar jogando dados. Não faço ideia de como se joga, mas é bastante popular aqui. Os jovens sentam ao redor de uma mesa e jogam isso por algum tempo enquanto bebem cerveja ou algum drinque.
Depois da meia noite fomos de taxi até o Scarlet's.
O lugar é super bem decorado. Tem um louge com música ao vivo- uma cantora e um tecladista cubanos, que alternavam com uma cantora americana (acho), cujo instrumento, além da voz, era um laptop, de onde saía a melodia das músicas que cantava.
As francesas trabalham nesse lounge. Basicamente, elas são pagas para mostrar aos clientes que o bar é frequentado por belas mulheres caucasianas. Elas ficam das 9 à meia noite bebendo e conversando entre si, e eventualmente conversam com algum chinês rico que lhes paga um drink pra mostrar que tem conhecidas estrangeiras.
Depois de dançar um pouco de salsa no lounge com Pedro, meu amigo português (supermega fofo!), subimos pro segundo ambiente. Fiquei impressionada com o que vi.
Foi tanta coisa diferente, que eu precisei de um bom tempo pra organizar a forma como escreveria isso aqui para que vocês pudessem ter uma ideia:
É de se imaginar que em uma balada com DJ há uma pista de dança, um espaço, nem sempre amplo, onde os frequentadores podem mexer o esqueleto ao som de música techno. Bom... esqueleto de chinês deve ser colado com durepox. Já mencionei acima que chinês não dança (com exceção de uns mais rebeldes ou bêbados, então, óbvio, não há, propriamente, uma pista de danças.
O Scarlet's é muitíssimo popular em Nanjing e muito frequentado por estrangeiros. Nós, sim, dançamos - quando dá. Não tendo pista de dança, o que nos resta é um palquinho em forma de T, localizado no meio do salão. Então, basicamente, os chineses não se expõe dançando, mas ficam, a balada toda, olhando os Waiguoren (gringos) dançarem.
Vocês podem estar se perguntando se é só isso que os chineses fazem numa balada. Claro que não! Eles comem pepino, cenoura e frutas que são lindamente servidas às mesas ao redor das quais eles passam a noite inteira. Também bebem um drink servido em garrafa de suco - que eu imagino que seja conhaque com qualquer coisa-, pagam bebidas aos estrangeiros, simplesmente porque é legal conhecer um estrangeiro, e, claro- assistem avidamente à performance.
Ulrich, meu amigo alemão, tinha me falado sobre uma tal performance no Scarlet's. Ele tentou me explicar, mas eu não consegui entender, realmente, o que ele quis dizer com aquilo.
Estávamos eu e meus amigos dançando no tal palquinho, quando de repente 3 chineses fardados fazem gestos pra sairmos de lá. Logo pensei "que que a gente fez de errado?". Meu questionamento não durou muito tempo, pois, dali a um minuto, subiu ao palco uma chinesa vestida de diva com plumas e paetês (ou só paetês, na verdade), pernocas de fora (lembrando que eu estava com 2 calças legging, pois, ao final de contas, fazi -1 lá fora), uma postura de pop star e... começa a interpretar Beyoncée (playbackão). A chinesada vai à loucura! Depois de apresentar uma música, juntam-se a ela no palco duas outras chinesas, vestidas iguais entre si - mas diferente da Diva-, com óculos escuros e roupa de mulher descolada, e fazem toda a coreografia da segunda música- "All the single ladies", eu estava empolgadíssima com aquilo! Mas a coisa ficou ainda melhor. Na terceira música, sobem ao palco dois chineses vestidos de seilaoquê- igualmente descolados, claro-, pra dançar com as duas moçoilas. Minhas irmãs ficariam com inveja de sua destreza na coreografia.
Depois dessa mistura sino-americana na interpretação, os dançarinos desceram do palco e ficou apenas a Diva cantando o que aparentemente é uma música muito famosa aqui, pra agradar exclusivamente os chineses, claro.
A tentativa de explicação de Ulrich foi, claramente, em vão. Nunca, nada que ele tivesse tentado colocar em palavras, poderia explicar o que eu vi aquela noite- e vocês, para terem uma ideia precisa do que é, realmente... bom, só vindo até aqui.
Detalhe: Uma balada desse estilo seria, normalmente, bastante cara no Brasil. Aqui é de graça, e você, sendo gringo, ainda corre o risco de não pagar bebida a noite inteira (Não se preocupa, mãe, eu não bebi do copo de ninguém).